O PRAZER DE "SENTIR" A PRESENÇA

 


Quando existe um forte sentimento,
consegue-se "sentir"  a presença
de quem está distante...
Osculos e amplexos,
Marcial

O PRAZER DE "SENTIR" A PRESENÇA
Marcial Salaverry

Para conseguir "sentir" a presença querida que está longe, temos de entender que uma coisa muito interessante, é a capacidade que temos de saber usar a imaginação, e assim conseguir sempre sentir perto de nós a presença de pessoas queridas que, por circunstâncias diversas, estão longe, pois  não há nada sob a face da terra mais veloz que o pensamento, e com o pensamento fazemos loucas e deliciosas viagens.
Hoje estou aproveitando um pensamento de meu querido L'Inconnu, que diz :
"Não é preciso ficar perto, para estar junto, basta estar dentro..."

Realmente, através do pensamento, o que é a distância? É simplesmente algo que separa os corpos. Mas se existe uma afinidade espiritual, sempre sentimos as pessoas amigas perto de nós, pois na realidade, a distancia é como uma convenção, conforme nosso interesse pessoal, tendo pouco significado para quem tem uma ligação espiritual afinicamentre forte.
Quantas vezes por dia nossa mente dispara pensamentos para a pessoa que amamos muito, não importando em que ponto do Planeta ela se encontra, e conseguimos senti-la a nosso lado, chegando a sentir seu cheiro ou seu sabor.
Assim, imaginemos duas pessoas que se amam, mas que por circunstâncias diversas não podem estar juntas. Será impossível esse amor? Será impossível amar-se sem que se tenha o contato físico, o olho no olho, mão na mão? Penso que não, pois se assim fosse a história (e a estória também), não registraria tantos casos de amantes que, mesmo separados, continuaram se amando. Pelo contrário, a distância aumentou mais ainda o sentimento que os unia, Penélope e Ulisses que o digam...
Na realidade, depende do que realmente se sente, pois não é  fator preponderante a presença física de quem amamos de verdade, para a "termos" a nosso lado.
Temos uma grande aliada, que é nossa imaginação, e temos também as lembranças, e a emoção dos momentos. Vividos ou não... Se vividos, melhor ainda, mas se ainda  não vividos, sempre se pode  fazer a imaginação trabalhar a nosso favor.
Lembrar dos momentos felizes já vividos, faz com que consigamos suportar as ausências mais prolongadas. Basta que não deixemos a tristeza tomar conta de nossos pensamentos.
Seja um afastamento temporário, seja um definitivo, basta fecharmos os olhos, e deixarmos fluir nossos melhores pensamentos. Se a concentração mental for bem forte, chega-se mesmo a "ver" a pessoa amada ao lado.
As ausências ou perdas não devem ser lamentadas, pois uma lamentação traz à tona pensamentos tristes, e estes devem ser, se não deletados, pelo menos arquivados. Devemos, isto sim, "puxar" as alegrias vividas juntas. Na realidade, quando choramos e lamentamos a perda de um ente querido, o fazemos por egoísmo . Muitas vezes a pessoa estava muito doente, sofrendo, e ficamos lamentando desesperadamente sua partida.  Precisamos ser realistas, pois se a pessoa se foi, é porque cumpriu seu destino seja qual for o motivo do passamento, então vamos apenas pedir por seu descanso esteja onde estiver,  e vamos tocando a vida, permitindo que sua alma descanse realmente em paz.
Para viver um amor à distância, é necessário mesmo que se tenha muita imaginação, muito poder de pensamento, pois não há do que se lembrar, eis que ainda não foram vividos momentos de ternura e carinho que possam ser lembrados. Mas, desde que se consiga sentir com a alma, a parte física pode ficar relegada a plano secundário, funcionando apenas  como um complemento.
Ficam as palavras de carinho e beijos trocados à distancia, e que sempre servem como fator de lembrança, como ponto de apoio para a imaginação trabalhar. E, desde as mais priscas eras, sempre se amou à distância. Aquelas lindas e melosas cartas de amor que por vezes levavam semanas para chegar, trazendo as palavras da pessoa amada, agora chegam em segundos, via Internet.
Há que se lembrar que incontáveis casamentos se realizaram por procuração, cujos romances iniciavam por cartas, e até através desses  correios sentimentais publicados em revistas de fotonovelas nos idos dos anos sessenta e setenta.
Ama-se muito à distancia, mas também brinca-se muito. Mas, seja amor, seja apenas uma paquera passageira e inconsequente, seja uma sólida amizade, sempre podemos "ver" ou "sentir" a presença ausente, usando nossa imaginação, nosso poder de pensamento.
Assim sendo, minhas queridas crianças, recebam meus ósculos e amplexos, como se os estivesse dando pessoalmente, e, junto com eles, recebam meus mais sinceros desejos de UM LINDO DIA. 
 
O amor não se vê... não se toca... apenas se sente...
Marcial Salaverry

 

Marcial Salaverry


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