FALANDO SOBRE O AMOR FAMILIAR

 

Amor familiar...
Alguém ainda se lembra como era importante?
E como era respeitado?
O que estará acontecendo?
Osculos e amplexos,
Marcial
FALANDO SOBRE O AMOR FAMILIAR
Marcial Salaverry
 
Amor familiar é algo que ainda resiste à passagem do tempo e à modernidade, mas podemos perceber que vem caindo em desuso.

Podemos lembrar que antigamente havia um culto às famílias, que moravam juntas em amplos casarões, e as refeições sempre eram feitas em alegres reuniões familiares. As grandes datas então,  sempre eram comemoradas com todos reunidos.  Eram outros e deliciosos tempos, e apenas quem viveu nessa época pode lembrar...

Por exigências da vida moderna, houve uma certa desagregação nas famílias. Cada qual vai  em busca de sua vida. Antigamente os filhos iam casando, e morando na mesma casa, mas atualmente, o que impera é o “quem casa, quer casa”.  E de uma maneira ou de outra, vão se rompendo os laços familiares, e constituindo-se sempre novas famílias, sempre formando novos núcleos, por vezes cortando vínculos, por razões as mais diversas, que nem vale a pena enumerar, pois penso que todas as famílias tem histórias de rusgas entre sogros, sogras, genros e noras, algo que já faz parte até do anedotário.

Mas, o que mais se nota é que além dessa separação física quase natural, o que ocorre também é uma grande falta de comunicação, pois além de viverem separados, também pouco se falam.

São cada vez menos frequentes as reuniões familiares. Escasseiam as conversas, e por que?
Pode parecer estranho, mas o que vem ocorrendo, é uma total falta de comunicação entre as pessoas.  Apesar da Internet, das ondas do rádio, dos programas de televisão, do celular barato, do skype, do face book, ou talvez justamente por isso tudo, a falta de comunicação pessoal é enorme. Usam-se as máquinas, usa-se a tecnologia, esquecendo-se do contato pessoal, e assim, ao invés de uma visita, passa-se um e-mail, telefona-se, ou passa-se uma mensagem, e pronto. Está cumprida a obrigação.

A vida familiar também fica seriamente prejudicada, pois está cada mais frio e distante o diálogo entre pais e filhos, tudo fica para depois. É preciso apenas suprir os meios para subsistência. O smartphone substituiu a velha conversa olho no olho...

Pensa-se na matéria, esquecendo-se da alma.  Pensa-se na propriedade, e não no amor. A principal preocupação são os bens materiais, em tudo aquilo que o dinheiro pode comprar, e nessa preocupação, sempre procuramos manter os filhos ocupados com alguma coisa, para que eles “não possam reclamar” de não merecer a devida atenção.  Ao invés da prática do amor familiar, tome  a escola particular, os cursos de línguas, de informática, balé, jazz, as academias para cuidar do físico.  Assim, dá-se tudo para os filhos, e para nós mesmos.  Tudo? E onde fica o convívio familiar, o amor, o carinho, o diálogo, onde poderemos passar para nossos filhos aquilo que já vivemos, ao menos para que eles tenham parâmetros.  O convívio familiar, pode evitar o convívio com o traficante, com amizades perniciosas, onde, talvez apenas por falta de orientação eles possam buscar o calor de uma amizade, algo que é inerente ao ser humano.

A nova forma de amor que foi descoberta,  é a de cercar as pessoas que amamos de bens materiais, como se isso pudesse suprir aquele amor que deveríamos estar praticando, e do qual jamais deveremos fugir.

Uma reunião para um bate papo amistoso é fundamental, para que os filhos possam sentir que estão tendo atenção e carinho de seus pais, para que eles possam perceber que seus pais não são apenas aqueles que os sustentam, pagam suas contas, e tem a “obrigação” de lhes dar tudo.  Mas sim, são aqueles que por amor também os castigam, também os fazem sentir que tem obrigações para com a vida, e para com eles, pais. É tudo uma troca, deve haver uma reciprocidade de sentimentos.  O amor deve ser doado e recebido. Assim como o reconhecimento pelo que se faz, e o carinho.  Muitas vezes, em uma palmada, em um castigo, existe mais amor do que na condescendência para tudo que os filhos fazem, pois é assim que se motram os limites, o até onde se pode chegar.

Pais e filhos precisam entender que o diálogo é a base de tudo. É o que pode manter o amor familiar, e para que isso seja possível, é necessária uma boa dose de compreensão, e de saber viver.

Vamos começar tendo UM LINDO DIA.    

 

 

Marcial Salaverry


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