LEMBRANDO COISAS DO CONGO

 

Depois de alguns anos no Congo, certamente muitas lembranças
chegam à memória...e algumas lições aprendidas que aproveito
para repassar...
Ósculos e amplexos,
Marcial
LEMBRANDO COISAS DO CONGO
Marcial Salaverry

Lembrando e relembrando de episódios que vivi no Congo, acabei me lembrando de muitas outras coisas, pois a África é toda ela um grande mistério e, não é só leões, elefantes, alegres aventureiros, e africanos, e que sempre tem algo para nos ensinar...
Deu pra perceber que eles tem uma filosofia de vida muito peculiar, onde ainda não chegou totalmente a maldade da chamada civilização. Sob certo ponto de vista, são de uma pureza d’alma enorme, principalmente nas aldeias mais afastadas, onde o contato com a civilização é mais restrito. Encaram a vida com tanta naturalidade, que podemos aprender muita coisa com eles. Pelo menos a não sermos tão maldosos, e com certeza existe muita sabedoria lá. De minhas lembranças, trago um provérbio africano muito interessante, que diz:
" Nunca são esquecidas as lições aprendidas na dor."
Palavras simples, como simples é a vida que vive a população africana, de modo geral, mas, quanta verdade existe nessas palavras, pois ninguém pode negar que, ao "levarmos uma paulada na moleira", aprendemos que não devemos repetir o mesmo erro (errare humanum est, mas reincidirem em errum, burrarum est).
O interessante, é que dificilmente enxergamos certas atitudes que tomamos naturalmente, e que podem magoar alguém que seja um pouco mais sensível que outros, e insistimos nesse erro, até que, por vezes ferimos esse alguém de uma forma tal que fica bem mais difícil consertar a besteira cometida. E não houve maldade, vontade de magoar ninguém, apenas não soubemos aquilatar o grau de sensibilidade de quem atingimos. Involuntariamente ou não, o certo é que atingimos.
Muitas vezes, não reparamos, mas uma resposta brusca sem razão, uma brincadeira mal colocada, por vezes magoa muito. Agora, quando reparamos que o mal foi cometido e tratamos de corrigi-lo é sinal de bom senso e humildade, da mesma maneira que gostamos de ver uma mudança de atitude em quem nos magoa.
Algo que nunca pode ser esquecido: "Pessoas diferentes... sensibilidades diferentes..." A mesma coisa que é aceita normalmente por alguém, outra pessoa poderá não gostar. Portanto, como vivemos numa sociedade, devemos ao menos tentar aprender a lidar com todos. E, errando, ter a humildade para consertar o erro. Um pedido de desculpas não arranca pedaço algum.
Quando sofremos algum revés, temos que ter a sabedoria de aprender a lição que a vida nos deu e, ao invés de apenas lamentar o azar que nos atingiu, devemos é verificar se não fomos nós os errados, ao insistir num projeto, numa atitude inadequada.
Sempre devemos fazer uma análise bem acurada sobre o que passamos na vida, e aproveitar cada percalço, cada problema, cada contratempo, e saber tirar proveito de tudo que aconteceu, pois é aí que reside nossa grande sabedoria. Fazer de cada insucesso, de cada acontecimento desagradável, um degrau para melhoria na vida, e assim, aproveitar os azares, e transformá-los em ponto de partida para o êxito, e assim, sabendo utilizar os erros cometidos para os acertos futuros.
Bem crianças, fica aqui mais uma lição trazida da África: "Nunca beije um leão, ou uma leoa na boca..." , principalmente porque deve ter muito mau hálito...
Na verdade, não é bem essa a lição, mas sim, aquela mais acima, mas esta também é útil...Vamos pensar no assunto...
A lição verdadeira é : "Vejam a extensão de seus erros, e procurem não repeti-los. Erros são atitudes a serem retificadas, e jamais ratificadas..."
Nesses provérbios populares, sempre encontramos muita sabedoria, pois eles são produtos de experiências vividas.
A questão é saber interpretá-los.
Espero que o amanhã seja UM LINDO DIA, e, claro, sem cometer certos erros...

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Falando em África, vem a pequena história do garoto que diz para a mãe:                               
Mas mamãe... você num disse que gostava do papai?
 _E ela: Claro que gosto... dá mais um pedaço...


 

 

Marcial Salaverry


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