SOBRE O AMOR

 

Penso que o básico para que alguém tenha dentro de si a capacidade de amor, é conseguir AMAR-SE. Conseguindo amar a si próprio, poderá amar a mais alguém, pois quem não consegue se amar, como poderá amar a mais alguém? Não saberá o que é amor.

Sem qualquer sombra de dúvida, no mundo do amor, há lugar para todos os sentimentos no coração dos humanos, mas enquanto eles sentirem qualquer desprezo ou rejeição para alguma parte de seu corpo, será impossível desenvolver o sentido do amor em seu coração. As pessoas devem amar-se apesar de algum defeito ou problema.

A prática do amor começa dentro da pessoa, e dentro de casa, de lá se irradiando para o mundo. Não se pode esperar encontrar longe de si mesmo algo que deve começar dentro da própria alma.
A neurose, sintoma de falta de amor, atinge a todos, só diferenciando o grau em que ela acontece. Caracteriza-se pelo uso da inteligência para reprimir e negar algo de que não se goste, seja uma pessoa, um animal, um objeto, ou até mesmo uma parte de seu corpo.

Por exemplo, a neurose pode se manifestar quando uma pessoa passa a atacar alguém sem motivo nenhum, apenas por se julgar perseguido, ou simplesmente por não gostar desse alguém... então porque não gosta, ele não presta. Parece absurdo, mas a neurose leva a esse tipo de ação.

Outro exemplo mais grosseiro, pode ser aquele certo alguém que não gosta de suas orelhas e, ao invés de superar esse problema e procurar aceitá-las naturalmente, passa a detestar no mundo tudo que represente audição, tentando, digamos, destruir a música, posto que ela lembra as orelhas de que não gosta. Pode parecer absurdo, mas existem pessoas assim. Tem quem odeia a pintura, por não saber pintar. Ora, a falta de talento não o impedirá de apreciar uma obra de arte, desde que se disponha a vê-la com os olhos da alma...

Para um ser humano poder amar, e penso que todo mundo está sempre à procura do amor, em primeiro lugar deve amar a si mesmo, aceitar-se integralmente sem restrição alguma. Se tem algum defeito físico, é válido tentar corrigi-lo, mas nunca sentir raiva de si mesmo por não ter nascido perfeito, ou pior ainda, sentir raiva do mundo, ou das pessoas que são perfeitas. Analisando-se bem, todos temos algum defeito em nosso corpo. Apenas precisamos aprender a conviver com ele, e assim viver em paz.

Em segundo lugar, é importante que aceite também tudo que diga respeito à família.

Sempre devemos procurar uma boa convivência dentro de nosso lar. Seja com a família de sangue, que é aquela da qual nascemos, seja com a família que adotamos pelo casamento.

Devemos sempre pensar bem antes de dar esse passo decisivo, que é o de unirmos nosso destino ao de outro alguém. É importante que se analisem bem as afinidades, e as possibilidades de uma boa convivência, a fim de sempre se manter uma harmonia no lar.

Por vezes não é fácil... Desentendimentos podem surgir depois, ou por falta de sinceridade no início, quando se mascararam defeitos, que poderiam atrapalhar a conquista, ou então por mudanças de linha de conduta.

Sempre se deve usar ponderação antes de atitudes que podem ser definitivas.

Vi um pensamento do meu amigo "Desconhecido" (muito bom escritor esse cara...), que diz algo muito interessante:

O amor deve começar dentro de si mesmo, dentro dos relacionamentos familiares, para somente depois irradiar-se aos vizinhos e ao mundo inteiro.

Essa é a teoria mas como lei é difícil de ser implantada. Pois a junção de duas almas sempre é complicada, o que não se deve, é levar eventuais desentendimentos para fora de casa, e muito menos trazê-los de fora para dentro de casa.

Procurar manter a harmonia é fundamental. Antes de atitudes radicais, a ponderação.

Afinal, o amor é o sentimento mais belo que existe... e não devemos jamais matá-lo dentro de nós.

 

Um amigo para outro, todo orgulhoso: Meu cachorro sabe ler!!! E o outro responde: Disso eu já sabia, pois meu cachorro me passou em e-mail contando isso...

 

Marcial Salaverry


[Voltar]

© Copyright Prosa & Poesia - Direitos Autorais Reservados