ESPORTE AGRADÁVEL

 

Vamos falar de um esporte bastante saudável, se bem que um pouco perigoso. Para esse esporte são precisos duas pessoas, preferencialmente de sexos opostos. Existem algumas pessoas que não fazem questão dessa "discriminação"... Fazer o quê? É perfeitamente válido e não deve haver preconceitos nesse sentido.

O importante é que haja amor e compreensão.

O esporte do qual estou falando é bastante antigo. Já teve diversos nomes. Em tempos idos, era conhecido com "flerte", ou mais sofisticadamente, "flirt". Em tempos mais recentes, recebeu o nome de "paquera" . Atualmente os jovens chamam de "azaração".

Não sei se eles acham que isso traz azar... Eu penso que pode ser tudo, menos azar... Salvo se um dos lados for comprometido... aí pode complicar...

O interessante desse esporte, é que os combates são travados mais à distância, envolvendo troca de olhares, sorrisos; antigamente, até um leve piscar de olhos.

As palavras são desnecessárias. O prazer da disputa está mais em provar o poder de sedução, do que a conquista propriamente dita.

Digamos que você percebe que alguém mostra algum interesse na sua pessoa. Legal, sinal de que está agradando. Joga então seu "olhar n.º 27". A outra pessoa corresponde. Está iniciado o jogo. Essa troca de olhares e sinais é uma das coisas mais gostosas que pode existir.

Se a "caça" está acompanhada, fica ainda mais interessante, pois além de colocar à prova o poder de sedução, o caçador (ou caçadora), também tem o prazer de estar fazendo o acompanhante de bobo. Sempre existe o perigo do terceiro elemento perceber, e aí a coisa pode engrossar. É isso que torna a coisa ainda mais interessante.

Vamos ver a técnica. Vamos tratar de "o caçador", para simplificar a coisa, pois também poderia ser "a caçadora". Nos tempos antigos as jovens eram mais recatadas e sempre esperavam que os homens tomassem a iniciativa.

Atualmente, as mulheres também vão à caça. Eu acho isso muito certo, e muito gostoso também. Não resta a menor duvida de que qualquer homem gosta muito de saber que está atraindo a atenção de uma mulher.

Aliás, os homens são até mais acessíveis às cantadas, paqueras ou azarações, do que as mulheres. Creio que por estarem mais acostumadas a recebe-las, elas se tornam mais seletivas. Gostam de analisar se o "caçador" pode valer a pena.

O interessante da coisa, é que não existe qualquer tipo de compromisso. O objetivo é simplesmente, "azarar". Testar o poder de sedução. Geralmente é o mesmo objetivo da "caça", que gosta de saber-se atraente. No frigir dos ovos, é uma caçada mútua, pois ambos estão testando seus poderes.

Após uma troca de olhares muito sedutora, sorrisos melífluos, cada qual segue seu caminho, certos de que estão "em forma". Por vezes, uma troca de telefones (números, não aparelhos) que geralmente não dá certo, pois geralmente ninguém tem a intenção de prosseguir com a coisa. Foi só um teste de sedução.

O principal perigo que existe, é quando um dos dois fica realmente interessado e quer levar a coisa adiante, e o outro não quer nada de nada. Aí é que o jogo está completo, pois o vencedor, após saber que continua em condições de seduzir, ainda tem o prazer de deixar mais uma "marca" em sua agenda de telefones. Mais uma caçada bem sucedida.

E se deixou alguém frustrado para trás, melhor ainda... Muita maldade, né?

Bem, considerando que paquera é um esporte, claro que tem existir competição. A paquera sempre é livre. Se alguém, embora comprometido quer se dedicar a esse saudável esporte, não pode ser condenado, pois não pode recriminar-se alguém por querer testar seu poder de sedução.

Sempre faz bem para o íntimo saber que consegue atrair a atenção. Deve-se porém saber observar os limites... onde termina a paquera, e começa o romance... porque aí o papo já é outro...

Então, vamos paquerar à vontade, pois é saudável, é gostoso e sem compromissos. O negócio é testar se ainda somos capazes de atrair, ao menos os olhares, de pessoas do sexo oposto (ou do mesmo, dependendo do gosto).

 

E tem o caso daquele paquerador, que viu a linda jovem de costas, muito curvilínea e com tudo nos lugares exatos. Sussurra-lhe na orelhinha linda: A gata está apreciando o pôr-do-sol? Quando a jovem vira o rosto, nosso amigo quase cai de costas, pois ELA É ELE. E daí?

 

Marcial Salaverry


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