NOVOS RELACIONAMENTOS - 2

 

É uma história que se repete muitas vezes todos os dias... infelizmente (ou não?). Duas pessoas estão juntas, muitas vezes há 5, 10, 15, 20 ou mais anos. Um belo dia descobrem que não conseguem mais viver juntos.

Por que? Sabe-se lá. Os motivos são muitos, entre os quais o desgaste de uma relação que nunca foi muito boa. Era apenas tolerada. Daquele tipo que se costuma dizer: Ruim com ele, pior sem ele (ou ela). Até que chega ao ponto de descobrir-se que "ruim com ele, melhor sem ele (ou ela). E então, cada qual para o seu lado, tentar nova vida, mais sorte num possível novo relacionamento.

Esse é o motivo mais pacífico, menos traumático. Muitas vezes o rompimento chega por uma traição descoberta. Nesses casos, a barra geralmente fica pesada. Troca de insultos. A parte traída não se conforma com o fato de ter sido passada para trás, enquanto a outra parte sempre quer se justificar, buscando motivos para a traição, que podem ser carência afetiva, falta de carinhos, falta de diálogo, falta de amizade entre ambos. E também o "esfriamento sexual" que os longos convívios muitas vezes provocam.

Seja por qual motivo for, separaram-se. E a busca de novos parceiros sempre é complicada, pois a vivência anterior e os fatos que determinaram a separação, sempre pesam na balança. Se houve uma traição, então, a "vítima" vai estar sempre desconfiada em seus novos relacionamentos. "Será que ele (ou ela) também vai me trair?" . E dificilmente irá se entregar "por inteiro" a essa nova relação.

Muitas vezes ocorre justamente o contrário com a nova parceria. Mas a confiança nunca é adquirida de imediato, tem que haver uma certa dose de paciência de ambos os lados para que o relacionamento "vingue".

Esse é o grande problema com os novos relacionamentos, pois as duas partes já tiveram problemas. Trazem consigo mágoas e traumas. Ainda existe o famoso risco da "comparação", que sempre faz periclitar a nova vida em comum.

A melhor coisa a se fazer, é "passar uma esponja no passado". Mas isso nunca é fácil, principalmente quando existem filhos pequenos, que sempre formarão um certo vínculo com a "sociedade" anterior. Existem muitos casos, em que o conjugue anterior usa os filhos para fazer chantagem emocional, principalmente quem saiu mais ferido no rompimento. Enfim... são problemas que podem ou não surgir.

Vamos procurar analisar agora, um caso típico que tem ocorrido com muita freqüência ultimamente, qual seja, o surgimento de casais de meia idade, (e também de idade e meia) que procuram fugir da solidão, geralmente causada por viuvez (ou mesmo por uma separação). Parece ser muito simples. Ambos estão sós. Basta que se juntem.

Não é bem por aí, pois ambos carregam muita coisa nas costas, tais como costumes, por vezes muito arraigados e certos hábitos dos quais é muito difícil se livrar, e que forçosamente irão dificultar uma vida em comum. Além de suas mazelas. A idade sempre traz algumas doenças, alguns problemas físicos, e que vão exigir uma dose muito grande de compreensão e carinho para serem aceitos.

Portanto, vocês hão de convir que nestes casos tem que haver um estudo muito bem feito dos problemas e dos benefícios com a união. Tem que haver muito diálogo, muita compreensão, para que não seja um desastre.

Tenho acompanhado muitos casos em que houve um entendimento tão gostoso, que as pessoas parecem rejuvenescer. É muito bacana ver esse "renascimento para a vida". Pessoas que já estavam conformadas com a solidão, de repente tem a felicidade de nessa altura da vida encontrar "aquele alguém" que as faz reviver.

Por outro lado, os casos que não deram certo são em muito menor número. Justamente por isso que penso que sempre vale a pena tentar. Afinal, como se diz no sul: "Não está morto quem peleja." Sempre vale a pena viver. E tentar ser feliz.

O ponto fundamental para qualquer relacionamento, seja ele novo ou antigo para dar certo, é que haja muita compreensão, carinho, diálogo, respeito e basicamente, amizade.

 

 

Marcial Salaverry


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